Zero gordura trans? Sem colesterol? Calma, não compre ainda..

Você é uma dessas pessoas que presta mais atenção nas letras coloridas das embalagens, que dizem “sem colesterol” e “zero gordura trans”, do que para aquela minúscula tabela de informações nutricionais?

Cuidado! As novas tecnologias de saúde podem ser mais saudáveis para a indústria alimentícia do que pra você. Prestar muita atenção nos novos slogans da vida saudável pode não ser uma boa estratégia, principalmente se você não tem tempo ou disposição para procurar saber as indicações e contraindicações de cada novidade no ramo dos alimentos.

Veja por exemplo a polêmica questão “manteiga X margarina”. Se você for um adepto do “anticolesterismo”, será automaticamente um comprador de margarinas, pois praticamente todas tem hoje no rótulo “sem colesterol”. Aí você fica imaginando como é bom ter uma vida saudável, lembra daquela propaganda com a família feliz de camisa branca num dia ensolarado e vai dormir tranquilo.

Mas nem todo mundo sabe que o colesterol, presente nos tecidos animais (onde cumpre importantes funções), não pode ser encontrado nas plantas. Ou seja, nada feito apenas com plantas possui colesterol. Nem margarina, nem azeite, óleo de soja, enfim. Bom, até aí, nenhum grande problema, exceto a boa e velha hipocrisia das propagandas num mundo que semeia a própria burrice.

No entanto, nas letras pequenas da embalagem de margarina, está escrito “gordura vegetal hidrogenada”. O que, aliás, é uma delícia, e tem também no sorvete, em bolachas, etc. Mas gordura vegetal hidrogenada, como tantas coisas boas, deve ser evitada em excesso. E a margarina, vale dizer, é praticamente pura gordura vegetal hidrogenada.

Assim, quando a filha moderna e saudável tenta convencer sua mãe a largar a manteiga e mudar para margarina light sem colesterol e zero gordura trans, talvez não esteja de fato fazendo um favor à sua progenitora.

Não estou dizendo aqui para proibirem a margarina. Só estou dizendo que nem sempre o “upgrade” é a melhor solução, por mais “científico” que possa parecer. Aliás, se você quiser algo “científico mesmo”, não procure nas propagandas de produtos anti-manchas ou nas letras coloridas das embalagens.

A questão da gordura trans, por exemplo. Lendo um artigo para cardiologistas, descobrimos que o problema da gordura trans, na verdade, é que ela se parece com a saturada (como a gordura vegetal hidrogenada da margarina). Mas curiosamente, segundo um estudo da USP, muitos alimentos que dizem ter zero gordura trans estão lotados de gordura saturada. Ou seja, é muito fogo pra pouca palha.

Enfim, cuidado com slogans e letras coloridas. Não evite tanto as tabelas e letras miúdas. Ou ao menos, nos tempos apressados da pós modernidade, na dúvida pergunta à sua vó.