vício do cigarro ligado a fatores geneticos e ambientais

Como já aprendeu todo o iniciado em biologia, não somos determinados pelos nossos genes nem independente deles. Todo o organismo é resultado de fatores genéticos e ambientais (como na “fórmula do fenótipo” divulgada nos livros didáticos).

Hoje, curiosamente, a parte genética parece “dar mais ibope”, o que gera a impressão de que a mídia defende o “determinismo genético”. Não creio. Considero isto mais uma questão de marketing do que de conhecimento.

O portal da BBC, por exemplo, destaca um estudo interessante sobre fatores ligados ao vício pela nicotina, mas no título chama atenção apenas para a parte genética. Eu, particularmente, considero a “parte ambiental” mais útil em termos de saúde pública. Veja só:

“Os especialistas analisaram amostras de DNA de 2.827 fumantes e avaliaram o nível de dependência em nicotina além de informações como a idade em que eles haviam começado a fumar, há quanto tempo fumavam e o número de cigarros fumados por dia.

Eles verificaram que os fumantes que haviam começado a fumar antes dos 17 anos e tinham uma cópia duplicada do gene que interage com a nicotina tinham até cinco vezes mais chances de ficar viciado em cigarro durante a vida adulta.

Já para os que começavam a fumar com 17 anos ou mais, a chance de dependência era bem menor.

Ainda segundo os especialistas, outras variações encontradas no mesmo gene poderiam funcionar de maneira oposta, evitando a dependência pelo tabaco

Pois é. Mais uma evidência da vulnerabilidade da criança e do adolescente a certos problemas de saúde. Mais um argumento para pais e educadores.

Mas porque as pessoas fumam tanto? Por prazer, claro, é a resposta de sempre. Mas pode haver outros motivos, como indica outro estudo:

“A nicotina tem efeitos tóxicos e apresenta alto risco de vício. Mas os cientistas britânicos mostraram que a substância também pode melhorar o aprendizado, memória e atenção.

O efeito é pequeno, mas pode ajudar os pacientes que sofrem de demência a manter uma vida independente – sem a necessidade de auxílio de terceiros – por mais cerca de seis meses.

A equipe do King’s College fez a experiência com ratos e mostraram que a nicotina melhorou a habilidade dos animais de realizar tarefas de forma mais precisa, particularmente quando eles eram distraídos.

Bem, se neste aspecto funcionamos como os ratos, talvez o uso do cigarro não seja apenas uma “fraqueza” das pessoas, uma propensão ao vício, mas uma tentativa tosca de “auto-medicação” dos distraídos para se adaptarem às necessidades da modernidade.

Mas isso parece mais desculpa de fumante do que qualquer coisa mais séria…