Racional, pero no mucho

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O homem é um animal racional. Esta frase, tão antiga quanto Aristóteles, pode ser interpretada de muitas maneiras. Uma delas é achar que o ser humano realmente entende as coisas como elas são, de forma racional, se ele se esforçar de maneira adequada. Essa mistura de aristocracia e meritocracia pode ser perigosa – caso, por exemplo, alguém se empolgue muito com uma “idéia de girico” só porque acabou de entender uma pequena parte de um grande problema.

A fé cega na razão pode ser uma faca muito amolada.

Isso porque o ser humano pensa de maneira muito esquisita. Não é algo exatamente racional o que se observa quando paramos para ver nosso próprio fluxo de idéias. Por isto é tão difícil explicar para os computadores como devem fazer as coisas. Por isto é tão difícil entender logaritmos e matrizes. O homem é racional, pero no mucho.

Dia desses, durante uma aula sobre não sei o quê, uma luz se acendeu durante a caótica (e auto-organizada) narrativa coletiva.

O cérebro não foi feito pra pensar. Ele foi feito para não deixar o corpo tropeçar. Para mandar um conjunto de músculos correr, pular, abaixar, se reproduzir. Não para ter idéia, refletir e calcular logaritmos.

Usar o cérebro para pensar é como pegar um helicóptero e usar de submarino para buscar um tesouro perdido no mar. Você tem até como fazer algumas adaptações, mas não poderá ir muito fundo.