Raciocínio simbólico rudimentar (dinheiro) já existe em macaco prego

Mais uma novidade do reino animal. Não é apenas o chimpanzé que consegue usar adequadamente um certo conjunto de símbolos. Afinal, se só ele tivesse, dentre os animais, “habilidades humanas”, por assim dizer, poderíamos concluir que de fato somos essencialmente diferentes do resto da natureza. Isto porque os chimpanzés são nossos “parentes mais próximos”.

Em relação a este argumento, há muitos estudos interessantes sobre golfinhos que poderiam melhorar o nível da discussão. A idéia da convergência adaptativa talvez possa ajudar. Mas o que venho a destacar neste post é um interessante estudo feito com macacos prego (Folha de S.Paulo, 13/06/2008), de onde tirei os trechos abaixo.

Macaco-prego entende valor do dinheiro

RICARDO BONALUME NETO

A equipe de cinco pesquisadores da Itália e dos EUA testou cinco desses pequenos macacos brasileiros com opções de comida e de objetos usados para simbolizá-la, que serviam como uma espécie de “dinheiro” que os animais podiam trocar por um lanche.”

nas palavras dos autores, “no geral, os resultados sugerem que os macacos-pregos usam mecanismos cognitivos similares quando avaliam opções em ambos os contextos, real e simbólico“. leia mais

O estudo me levou a alguns pensamentos:

1- O dinheiro é uma forma rudimentar, quase instintiva, de símbolo. Quando aprendemos a fazer contas na escola, via de regra o exemplo é relacionado a dinheiro. É algo que todos podem entender. Pelo menos até o século XX, quando a economia, como todo o resto, torna-se incompreensível para o cidadão comum.

2-A definição “o homem é um ser simbólico” talvez não seja tão boa quanto parece.

3- Talvez o processamento de símbolos talvez outros papeis na adaptação das espécies. Se não, porque estaria presente em seres que não usam símbolos para sobreviver (como nós)? A resposta poderia estar nas bases biológicas da cognição. Alguns acreditam que o cérebro funciona desta maneira, processando símbolos, o que explicaria esta habilidade em animais não-humanos. Mas o cérebro não precisa funcionar simbolicamente para conseguir processar símbolos. Aprendi, enquanto escrevia minha dissertação de mestrado, que muitos autores apresentam interessantes propostas alternativas a esta. O cérebro pode muito bem funcionar de maneira mais caótica, e mesmo assim conseguir construir representações internas das coisas.