Procrastinação, uma palavra muito bem feita

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– Estás a procrastinar hoje, nobre colega?

Há muita coisa nas entrelinhas de uma frase simples como essa.

Dizem que o homem busca sempre o belo. Mas então por que existem palavras tão feias? Veja só essa: procrastinação. Dá um trabalho enorme só de pronunciá-la. Tente dizer isso 3 vezes pra você ver. Ou melhor, nem vale a pena. Ô palavrinha difícil…

Mas podemos aprender muita coisa com ela. Vejamos, em primeiro lugar, o que significa. Procrastinar é adiar aquilo que se tem que fazer agora.

Veja só que coisa. Há uma palavra para isso! Para que mais poderíamos inventar palavras? Poderíamos ter um termo específico para “homem solitário no meio da multidão”, ou quem sabe um vocábulo que se referisse a “uma prova que eu sabia, poderia ter passado, mas fiz besteira na hora”.

A rigor, podemos ter palavras para qualquer coisa.

Isto, por si só, já dá uma incrível sensação de liberdade.

Mas procrastinar também nos ensina algo sobre “a origem do mal” – ou pelo menos da feiúra. Afinal, por que esta palavra é tão feia? Tão desagradável de ser pronunciada? Pense bem.

Vejamos. Em que contexto poderemos dizer tal termo? Provavelmente quando estamos a procrastinar – ou ainda, mais provavelmente, quando estamos ao lado de um exímio procrastinador. Precisamos de uma ferramenta que traga consigo toda a imoralidade que há no ato de deixar para amanhã o que se deve fazer hoje. E essa ferramente é justamente nossa palavra: procrastinação.

Você diz ao seu amigo, como quem não quer nada:

– Estás a procrastinar hoje, nobre colega?

Passa desapercebido, mas você está na verdade julgando e condenando seu semelhante, ao evocar tão grotesco termo para caracterizá-lo.

Pois é. A palavra procrastinação pode nos ensinar muitas coisas. Sobre a origem da linguagem. Sobre a origem do mal. Sobre nossa própria natureza. E podemos fazer tantos outros paralelos, que continuaríamos a procrastinar e procrastinar indeterminadamente…