Por que o álcool está tão caro?

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Quem pega uma estrada para o interior de São Paulo ou Pernambuco não tarda a encontrar-se rodeado por um interminável mar de cana, apelidado por alguns de “deserto verde”. O Brasil é o maior produtor de cana do mundo. Mesmo assim, o álcool não baixa mais nos postos de combustível. Por que?

É claro que os preços são números humanos, subjetivos, voláteis, multivariáveis, e a alta do álcool (ou etanol) pode ser atribuída a muitos fatores, sejam naturais (padrão pluviométrico do ano anterior, quebras de safra), políticos (incentivos estatais, impostos de importação) ou econômicos (monopólio de usinas, preços internacionais).

Embora todos esses ingredientes estejam no caldo do preço do álcool que abastece os carros flex e antigas velharias monobiocombustível, talvez o fator mais esclarecedor seja a recente variação no preço internacional do açúcar. Afinal, o álcool pode ser feito de qualquer coisa que seja fermentável, o que as usinas de cana fazem basicamente é produzir açúcar, que pode ou não se convertido em álcool. Se o preço do açúcar no mercado internacional aumenta, as usinas tendem a usar menos açúcar pra fazer álcool, reduzindo assim sua oferta e aumentando seu preço. Veja só o gráfico abaixo.

Fonte: Sugar, world price chart.

Repare como o açúcar não volta ao preço anterior à quebra da safra na Índia, em 2009. Alguma coisa está acontecendo com o preço do açúcar, e com isso os usineiros passam a produzir menos álcool.

Pois é, deve ser isso que chamam de globalização. O negócio é andar de bicicleta.