Pequisadores põem em cheque a confiabilidade de boa parte dos estudos de neurociência divulgados na grande mídia

Quando você estuda um pouco mais a fundo os métodos de criação das neuroimagens (baseados em médias, subtrações e adições das imagens cruas), muitas pulgas ficam atrás da orelha quando se ouve frases do tipo “descoberta a área do prazer”, ou “da capacidade de aprender matemática”. Era só uma questão de tempo para a neurociência começar a detectar seus próprios equívocos.

Segundo a revista Viver, Mente e Cérebro:

“Dia 23 de dezembro de 2008. Enquanto a maioria das pessoas estava preocupada em comprar presentes de Natal ou preparar as malas rumo às férias, um periódico americano, o Perspectives on Psychological Science, liberou o acesso de um de seus artigo antes que fosse publicado – prática comum quando os editores percebem que um estudo terá grande repercussão. Seis dias depois, um dos blogs americanos mais populares entre a comunidade de neurocientistas, o Mind Hacks, definiu a notícia como “uma bomba”. O assunto se espalhou rapidamente por outros “neuroblogs”, que bateram recordes em comentários. Na mídia impressa a novidade começou a ser alardeada apenas na segunda quinzena de janeiro de 2009, em revistas científicas como Nature, New Scientist e Scientific American, entre outras. Assinado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade da Califórnia em San Diego, o artigo sugere que boa parte dos estudos de neurociência cognitiva que utilizam ressonância magnética funcional (fMRI) pode estar comprometida por análises estatísticas inadequadas que alteram seus resultados. São os mesmos estudos que ocupam o noticiário de ciência da grande imprensa quase todos os dias, em que se exaltam as descobertas de áreas cerebrais ligadas à ansiedade, à empatia, ao desejo sexual e assim por diante – sempre acompanhados, é claro, das típicas imagens coloridas do cérebro.

Exames de neuroimagem são confiáveis? – Mente e Cérebro.