Paródia: Caixa dois – homenagem a Roberto Jefferson

Mais um relançamento das antiga… da época do Roberto Jefferson, lembra?
Aquele que foi rapidamente de vilão a herói?

Clique para ouvir:

Caixa 2

Paródia da música “Mesmo que seja eu”, de Erasmo Carlos
Adaptação: Rodrigo Travitzki

Letra:

Eu sempre vivi dentro do castelo
assumo que roubei do seu salário
mas ilusão, meu bem
É sempre o que eu mais faço bem

Há muito tempo eu vivo do seu trampo
Eu sei que sempre tive caixa 2
Mas hoje não, meu bem
Me redimi e até herói virei

E com a lábia que eu amo tanto
entro no seu quarto com cara de santo

aumenta o rádio
me dê a mão

Ideologia é hipocrisia
já dizia minha vó:
“- Antes mal acompanhado do que mau
você precisa é de um alvo pra tirá do seu
nem que ele seja o Dirceu”

Um alvo pra tirá do meu!
Que seja o Dirceu!

A minha maleta tá no carro
O da minha cueca já se foi
Mas meu bem não se desespera
eu já tô faz tempo na fila de espera
do Mensalão

me dê a mão

Ideologia é hipocrisia
já dizia minha vó:
“Antes mal acompanhado do que mau
você precisa é de um alvo pra tirá do seu
nem que ele seja o Dirceu”

E eu consegui tirá do meu!
Botaram no do Dirceu!

E com a lábia que eu amo tanto
entro no seu quarto com cara de santo…

Voz e violão: Rodrigo Travitzki
Baixo: Ronaldo
Sax: Guilherme
Batera (samplers): Guilherme

Gravado e mixado por Guilherme e Ronaldo
por amor à arte e à pátria
no Livestudio, Paraty, RJ

*

MOMENTO HISTÓRICO

Essa foi minha segunda paródia política. Veio de um refrão que apareceu por geração espontânea, enquanto tentava ler alguns textos com títulos muito estranhos.

Era julho de 2005 e as notícias sobre corrupção federal eferveciam na mídia. Era época do famoso “mensalão”, termo criado pelo brilhante Roberto Jefferson, o homem que deu um nó na moral brasileira e a virou pelo avesso. De centro da pilantragem, o presidente do PTB passou rapidamente a herói, aquele que denunciou o “chefe da maior quadrilha da história”. Esta mídia não se restringiu a casos extremos como a Veja, algo que nem deveria fazer parte da conversa entre as pessoas. Foi geral. O vilão da história havia virado herói, numa espécie de adaptação das idéias de Rousseau, tipo “o brasileiro é bom por natureza, mas a política o corrompe”.

Enquanto tudo isso acontecia, eu penava tentando encontrar o famoso “recorte” para escrever uma dissertação nos moldes acadêmicos. Forçava meu cérebro para trabalhar de forma muito estranha e pouco usual, e ele reagia intensamente. Criava imagens aleatórias, sons, alucinações, pensamentos confusos… coisas que poderiam ser reunidas pelos psicólogos numa “síndrome da dissertação”. Não sei se já fizeram isso.

Logo percebi que era impossível lutar contra meu próprio cérebro, e resolvi dar vazão às suas idéias estranhas. Foi daí que surgiu esta paródia.

O mestrado é muito produtivo para fazer outras coisas.

Creative Commons License

Rodrigo Travitzki – topicostropicais.net