O prazer em Aristóteles

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Veja abaixo alguns trechos selecionados do “Ética a Nicômaco”:

“Alguns estudiosos dizem que o prazer é o Bem, enquanto outros, ao contrário, dizem que ele é totalmente mau (alguns dizem isto sem dúvida persuadidos de que se trata de um fato, e outros pensando que tem um efeito melhor em nossa vida apresentar o prazer como uma coisa má, embora ele não seja mau); realmente, a maioria das pessoas, segundo pensam estes últimos, inclina-se para seus prazeres e é escrava deles, razão pela qual as pessoas devem ser conduzidas na direção oposta, pois assim chegarão a um meio-termo. Mas certamente isto não é correto. Na verdade, os argumentos acerca de assuntos relativos às emoções e ações são menos confiáveis que os fatos (…) se uma pessoa que parece desprezar o prazer é vista alguma vez buscando-o, pensa-se que sua inclinação para ele significa que todo prazer é desejável (as pessoas em sua maioria não são capazes de diferenciar).” pg. 299

“É claro que há um prazer inerente a cada sentido, pois dizemos que coisas vistas e ouvidas são agradáveis. Também é claro que o prazer ocorre principalmente quando o sentido está em suas melhores condições e está em atividade em relação ao melhor objeto; quando o objeto e o sentido que o percebe são excelentes, há sempre prazer, já que o agente e o paciente ideais estão presentes.” pg. 305

“Como explicar então o fato de ninguém sentir prazer continuamente? Será que nos cansamos, já que nenhuma atividade humana admite uma ação contínua? O prazer, portanto, não é contínuo, pois ele acompanha a atividade. Algumas coisas nos deleitam quando são novas, porém depois, pela mesma ração, não nos deleitam tanto” pg. 305

“Pensa-se que cada animal tem seu prazer peculiar, da mesma forma que tem uma função peculiar, ou seja, a que corresponde à sua atividade. Se pesquisarmos espécie por espécie isto se tornará evidente; o cavalo, o cão e o homem têm prazeres diferentes – como diz Heráclito, “os asnos preferem o feno ao ouro” pg. 307

“são preciosas e agradáveis as coisas que assim parecem às pessoas boas; e para cada pessoa a atividade conforme à sua própria disposição é mais desejável, e conseqüentemente é mais desejável para as pessoas boas aquilo que é conforme à excelência moral. A felicidade, então, não está no entretenimento; seria realmente estranho se o objetivo final da vida fosse o entretenimento” pg. 309

Fonte:

ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro X. In “Coleção Os Pensadores”, ed. Nova Cultural, São Paulo, 1996.