O céu democrático

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Deus tinha mais o que fazer, e pediu aos golfinhos para cuidarem do juízo final. Estes, por sua vez, sugeriram que a tarefa fosse delegada à espécie humana, principal interessada nas consequências do fenômeno.
Deus achou boa a sugestão dos golfinhos e então mudou as regras do jogo.
A partir de então, disse o verbo, serão os homens que julgarão os homens no final dos tempos.
Afinal, Deus já terá bastante trabalho articulando novos mundos com os outros deuses.

Como será esse julgamento?
Como será o céu democrático?

Imagine todas as pessoas com as quais você interagiu durante sua vida. Agora elas estão falando o que realmente sentiam durante cada momento que viveram com você. Elas se expressam em muitos níveis, desde aquele que você tinha visto, até profundidades que só agora são visíveis e pensáveis para seu espírito.

Parece que você saiu de seu corpo, mas na verdade ainda está dentro dele. Só que também está fora. E percebe isso. Você não saiu, mas se expandiu.

Por isso consegue entender melhor as pessoas. E elas te dizem muitas coisas que você entende. E não esquecerá delas, carregará elas durante toda a sua duração. E quem sabe ainda mais.

É o eterno retorno. O céu democrático. O valor infinito da experiência cotidiana.