O Brasil está assim tão mal?

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A palavra de ordem é crise. De vez em quando, fatos levam a usar um “apesar da crise“, mas o mote permanece. Claro, estamos mal, ok. Mas é prudente notar que, alguns anos atrás, o espírito coletivo – se é que existe algo assim – habitava o extremo oposto da auto confiança. Estávamos na crista da onda, mesmo no meio de uma crise econômica mundial.

Pois bem, acabamos descobrindo que estávamos um pouco errados antes. Resta saber: estaremos também um pouco errados agora? Afinal de contas, por que ficamos oscilando deste jeito obsessivo depressivo na macroeconomia do imaginário nacional? Será que levamos muito a sério os economistas? Será que levamos pouco a sério? Será que esta loucura emocional beneficia alguém?

Creio que pensamos muito a curto prazo no Brasil e isso dificulta as coisas. No curto prazo, tudo oscila rápido, nada permanece o mesmo, não há memória, não há acúmulo, não há perspectiva, há apenas dúvidas, incertezas, e daí nos embrenhamos nas brechas do sistema, no jeito malandro de pegar um bocadinho para si, entre a ida e a volta de um processo inútil e opaco que “faz parte do sistema”.

No curto prazo, o problema é o Cunha, é o PT, é o PSDB, é o Bolsonaro. Mal chegamos a discutir o problema de médio prazo, como por exemplo, sei lá, o PMDB. E o que falar então dos problemas de longo prazo, que tem a ver com as regras, instituições, os modos das coisas acontecerem neste território do planeta.

Nestas comemorações de solstício em ano apocalíptico, desejo a todos a agradável sabedoria de que os conceitos, embora úteis, são apenas conceitos e que a vida flui ao nosso redor com todos os seus mistérios e encantos.