Me diga o que é absurdo e te direi quem tu és.

Ontem fiquei algum tempo tentando entender como pensam essas pessoas que odeiam a Dilma, o PT e acham que o Lula é uma espécie de anticristo. Entendo perfeitamente a decepção com a Dilma (eu faço parte dos decepcionados), mas esse ódio que só aumenta, é difícil pra mim entender.

Então resolvi seguir uns comentários toscos de facebook, ver o que pensam as pessoas que xingam a Dilma e o Lula em qualquer tipo de post, de gatinhos fofos a piadas machistas. Você certamente já se deparou com tais comentários, destilando sempre o mesmo ódio, seja qual for o assunto. “Se fosse pela Dilma, esse gatinho fofo estaria recebendo bolsa familia em Cuba”.

Numa dessas empreitadas, me deparei com este “meme” ao lado. memetoscoVeja só o que é considerado um absurdo por uma destas pessoas que destilam ódio pelas redes sociais.

Sei não, pra mim, absurdo é outra coisa. Por exemplo, num país como o Brasil, achar que o preço do carro de luxo é aburdo, isso sim é um absurdo.

Mas absurdo mesmo, pra mim, é a forma pela qual o Estado trata os pobres e negros em geral, pra não dizer os índios. Especialmente no que diz respeito à atuação sistematicamente violenta da Polícia Militar nas periferias, sobre a qual temos noticias quase diariamente.

Uma das mais recentes veio à tona porque o jovem morto (negro e pobre) deixou seu celular ligado, e por isso a versão policial de sempre não colou. Todos sabemos que não é um fato isolado, como dizem as autoridades.

Para mim, aburdo não é a dificuldade de se comprar um carro de luxo. Isso são pequenos problemas, se é que são problemas. Minha ideia do que é absurdo, para usar as referências da semana, está bem contemplada no texto “A(u)to de resistência” de  Walace Cestari.

“vi uma criança que brincava ser morta. Quando brincava. Porque brincava. Estava no lugar errado. E tinha a cor errada. Pobre, preto e correndo. Auto de resistência. De repente, a história dava conta de que eram traficantes. Assim, do nada, viraram bandidos na crônica policial. Negros perigosos.”