Ginecologista diz ter encontrado o famoso ponto G, e afirma que algumas mulheres não são capazes de ter orgasmo vaginal

Essa notícia me espantou. Nem precisei fazer um “título sensacionalista”, é isso mesmo. Veja um trecho da reportagem da BBC:

“Segundo o ginecologista, os exames inéditos revelaram claras diferenças anatômicas entre mulheres que disseram ter atingido orgasmo vaginal e outras que não vivenciaram a experiência. Este tipo de orgasmo é atingido pelo estímulo da parede vaginal, sem a fricção simultânea do clitóris.

Nos testes, os especialistas realizaram um ultra-som para visualizar a uretra e a vagina de nove mulheres que tiveram orgasmos vaginais envolvendo o ponto G e de outras 11 que nunca sentiram o ápice do prazer sexual nesta região.

Os exames das mulheres do primeiro grupo acusaram um claro espessamento do tecido uretrovaginal, que seria associado ao orgasmo vaginal.

Incapacidade de orgasmo

Para Jannini, a descoberta “significa que mulheres sem qualquer sinal visível do espessamento desta área (que se convencionou chamar de ponto G) não são capazes de ter orgasmo vaginal”.

“Pela primeira vez, é possível determinar por um método simples e barato se uma mulher tem o ponto G ou não”, diz Jannini.”

Fonte: BBCBrasil.com | Reporter BBC | Cientistas dizem ter comprovado existência do ponto G

Me impressiona a dedução direta, partindo do pressuposto de que o tal espessamento (que pode ou não ser o “ponto g”) é uma característica imutável. O cientista não menciona a possibilidade de que a mulher possa ganhar (ou perder) o suposto “ponto g” dependendo de suas ações cotidianas. Imagino que, no artigo científico original, isto deva ser mencionado. Mas e o grande público? Não temos direito de saber a estória toda? Não queremos saber a estória toda? Um cientista não deveria ficar defendendo sua teoria como um torcedor grita o hino do seu time.

Hoje parece haver uma briga de torcidas entre os “biologicistas” e os “culturalistas”. Alguns acham que o homem é uma máquina complicada e divertida. Outros defendem que nosso lado mais humano é imaterial, livre. E fica nesse lenga lenga que parece nem ter chegado ao século dezenove.

A fala de Jannini parece um destes gritos acalourados para a torcida do outro lado do estádio. A capacidade de ter orgasmo é determinada pela espessura de uma região vaginal. Ora, faça-me o favor. Correlação não é causa, é sempre bom lembrar.

Isto tirando o fato de foram apenas 20 mulheres analisadas, o que é uma amostra bem pequena.