Existe crise no andar de cima? Veja como a elite sofreu em 2015

Viver na cidade de São Paulo é uma experiência antropológica sui generis, se você tiver tempo pra se dar conta. Sua carteira vive em crise, enquanto os preços das coisas que você gosta são “de primeiro mundo”. Aliás, a única coisa em São Paulo mais barata do que em Barcelona é o cafezinho.

Aí fico me perguntando que raios de crise é essa? De onde vem? Pra onde vai? Quem se ferra? No andar de cima, tudo parece fluir na mais perfeita harmonia. Pra dar uma ideia da bizarrice do abismo, colei uns trechos de reportagens que achei bem impressionantes. Veja a seguir, são todas notícias de 2015!

2015: sem crise no andar de cima

“A fidelidade de clientes da classe alta ajuda a equilibrar as contas de vários estabelecimentos voltados para a elite paulistana, que conseguem manter bons números apesar do mau momento econômico do país. Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes apontam para uma queda média de 13% no faturamento do setor em São Paulo no primeiro trimestre de 2015, ante o mesmo período do ano anterior. Mas a agenda de reservas do A Figueira Rubaiyat, lotada até janeiro, indica que por ali tudo anda muito bem, obrigada.” http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2015/10/1694834-elite-paulistana-mantem-habitos-e-faz-de-estabelecimentos-ilhas-sem-crise.shtml

“Mesmo em meio à turbulência vivida pela economia brasileira e que pode levar o país a registrar a primeira recessão após a crise mundial de 2009, existe um setor que não deixou de crescer este ano: o bancário. Enquanto a indústria recuou mais de 6% no primeiro semestre e o comércio registrou a maior queda nas vendas desde 2003, o lucro dos bancos bateu recordes. Somados, os ganhos dos quatro maiores bancos cresceram mais de 40% no primeiro semestre, na comparação com os primeiros seis meses de 2014.” http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/08/mesmo-diante-de-crise-lucro-dos-bancos-nao-para-de-crescer.html

“Em 2016, 1% mais ricos terão mais dinheiro que o resto do mundo” http://www.cartacapital.com.br/economia/oxfam-em-2016-1-mais-ricos-terao-mais-dinheiro-que-resto-do-mundo-8807.html

“Se fosse aplicado um Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) aos 200 mil contribuintes mais ricos do país, como tem defendido a bancada do PT no Congresso, o governo poderia arrecadar até R$ 6 bilhões por ano, segundo estudo feito no Senado a pedido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). O valor é semelhante à economia que o governo pretende obter, por exemplo, com a revisão das normas para a concessão do seguro-desemprego, uma das principais medidas do pacote fiscal.” http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/05/1633608-levy-barrou-taxacao-de-grandes-fortunas-projetada-por-mantega.shtml

“Os bancos na América Latina parecem ter encontrado a fórmula dos sonhos no mundo dos negócios: ganhar cada vez mais dinheiro, mesmo em tempos de vacas magras.” http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/como-bancos-latino-americanos-continuam-lucrando-muito-apesar-da-crise.html

“Em ano de ajuste fiscal, o Senado começou a renovar a frota de carros que atendem aos parlamentares e reajustou o valor pago pelo serviço. Os Renault Fluence usados nos últimos dois anos por 81 senadores –o presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), utiliza ainda um segundo veículo– estão dando lugar a modelos Nissan Sentra zero quilômetro.” http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/09/1679199-em-ano-de-ajuste-fiscal-senadores-recebem-novos-automoveis.shtml

“Maridos e mulheres de deputados terão direito a passagens aéreas. Eduardo Cunha diz que vai cortar outras despesas para manter gastos como estão.” http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/02/camara-dos-deputados-aumenta-verba-disposicao-de-deputados.html

“os salários reais do Judiciário ultrapassam – e muito – o teto constitucional dos funcionários públicos. Há 32 tipos de benesses, inventados para engordar os contracheques de suas excelências. Não é ilegal.” http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/06/juizes-estaduais-e-promotores-eles-ganham-23-vezes-mais-do-que-voce.html

“Em campanha por um reajuste salarial médio de 59,5% em análise no Congresso, o Judiciário é o Poder com maior gasto médio por servidor na ativa na esfera federal” http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/05/1632910-tribunais-mantem-o-maior-gasto-por-servidor-na-esfera-federal.shtml

“Outra mordomia dada no Judiciário é o auxílio-celular. Somando os custos com o benefício no Tribunal de Contas da União (TCU), no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) e no Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), o custo é de R$ 1,3 milhão por ano. Só no TCU, os gastos chegam a quase R$ 1 milhão por ano, ou R$ 82,3 mil por mês. Têm direito ao benefício 104 servidores e 19 autoridades, com cifras variáveis de acordo com o cargo: vão de R$ 465,03 a R$ 1.395,10 por mês. O maior salário do tribunal, sem benefícios, é de R$ 23,8 mil.” http://oglobo.globo.com/brasil/uniao-gastara-38-bi-com-pagamento-de-pensoes-vitalicias-filhas-de-militares-este-ano-17566422#ixzz3owBkiit8

“Câmara gasta R$ 1 milhão por sessão noturna só em extras de servidores” http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2015/09/camara-gasta-r-1-milhao-por-sessao-noturna-so-em-extras-de-servidores.html

Veja também notícias anteriores a 2015

“As pensões a filhas solteiras de funcionários públicos consomem por ano R$ 4,35 bilhões do contribuinte – e muitas já se casaram, tiveram filhos, mas ainda recebem os benefícios” http://epoca.globo.com/vida/noticia/2013/11/filhas-de-servidores-que-ficam-solteiras-para-ter-direito-bpensao-do-estadob.html

“Juízes do Paraná devem receber “aumento” no auxílio-moradia após decisão do STF” http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/juizes-do-parana-devem-receber-aumento-no-auxilio-moradia-apos-decisao-do-stf-ee5yedendw8wv2nuetyhvv61a

“Reclamar dos impostos é hábito comum da elite brasileira. Mas uma comparação internacional mostra que a parcela mais abastada da população não paga tantos tributos assim. Estudos indicam que são justamente os mais pobres que mais contribuem para custear os serviços públicos no país.” http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/03/140313_impostos_ricos_ms