Cidadãos brasileiros: insistí-vos!!

      4 comentários em Cidadãos brasileiros: insistí-vos!!

Dia desses recebi um pagamento numa conta do banco Real que já tinha fechado. Fui perceber meses depois. Falei com o gerente que eu precisava tirar o dinheiro e fechar a conta “de novo”(?). Ele respondeu que não seria possível tirar todo o dinheiro, porque tinha as taxas bancárias dos meses passados. Insisti com ele que isso não estava certo, pois eu nem havia sido informado que reabriram minha conta!

No que recebi a resposta-padrão “o sistema não aceita”, “essas são as regras”, “todos os bancos fazem assim”… isso quando não vinha uma frase excessivamente técnica, daquelas que te deixa sem a menor possibilidade de argumento – e com cara de idiota.

Fiquei desolado. Foi quando um amigo me lembrou do óbvio.

– Reclame na ouvidoria do Banco Central.

– Ah, que isso? Estamos no Brasil, cê acha que a ouvidoria do Banco Central é séria?

Não cheguei a dizer essa frase, por “polidez política”, mas nem por isso deixei de pensá-la. Será que funcionaria fazer uma reclamação oficial, nos moldes daqueles que realmente acreditam que o Brasil é uma democracia? Estaria eu sendo ingênuo, perdendo meu tempo à toa?

Bem, resolvi não aderir aos meus preconceitos, e fui lá reclamar com a ouvidoria do banco central. Primeiro pedi uma “informação”. Eu queria saber se os bancos podiam reabrir nossas contas livremente. Acho que escrevi de forma, digamos, enfática. Eles me responderam que aquilo era, na verdade, uma “reclamação”. Tudo bem, fui lá no site e cliquei em “reclamações”. Coloquei o mesmo texto. Ganhei um número que dava alguma garantia abstrata de que a minha reclamação realmente tinha acontecido. Guardei o número, esperei, e nada.

Tive que repetir este processo umas 3, 4 vezes. Cada uma me dava um número diferente, que eu adicionava na fila de números da próxima mensagem. Convenhamos, eu não tinha o menor motivo para acreditar que estava falando com alguém, e não com um computador produtor de números. Deu vontade de desistir. Continuei com as reclamaçoes via site, sempre da mesma forma, adicionando os números de protocolos anteriores.

Uma hora me responderam. Impressionante! Tinha alguém ouvindo!

Dali a dois dias, me ligam do Banco Real. “Senhor Rodrigo”, aquele papo todo, e no final, tive que ouvir, inclusive, uma frase do tipo:

– Senhor Rodrigo, nossa preocupação maior é com o cliente. Essas coisas não deviam acontecer. Inclusive, seria até melhor que pudessemos ter resolvido entre nós (ou seja, sem o banco central).

Pensei: “para mim também teria sido bem melhor”. Mas o que ele estava dizendo, na verdade, era “não fique dedando a gente pro papai, que a gente não gosta”.

Pois é, se os bancos, e as instituições brasileiras já estivessem mais maduros, talvez a gente não precisasse “chamar o papai”. Até porque depender do papai é naturalizar o déspota. Como disse no outro post, a modernidade é guiada de forma imatura.

Mas estou escrevendo aqui para dar um pouco de esperança. No final, deu certo. O banco vai ter que me devolver todo o dinheiro (já faz ano e meio) e não poderá me cobrar uma taxa a mais (para pegar o dinheiro em outra cidade).

Moral da estória: as instituições brasileiras (na verdade, as pessoas de lá) podem fingir que não vêem, que não entenderam direito, que o sistema ainda não processou, etc. – utilizando a velha tática do “dificulta que o cara desiste”. Como resistir a isso?

Não desista. E, de preferência, coletivamente. Por isto escrevo este post. Não tem outro jeito.

Toda a instituição minimamente séria tem algum setor de reclamações, seja uma OUVIDORIA, seja um OMBUDSMAN. E tem também o Procon (Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor – estatal) e o Idec (uma associação sem fins lucrativos), que são instituições voltadas ao direito do consumidor.

É uma coisa curiosa escolher este termo, “consumidor”. Por que não “cidadão”. Não temos um “instituto de defesa dos direitos do cidadão”? Muito estranho…

Com a Dri, minha namorada, aconteceu a mesma coisa. A Telefônica ficou enrolando meses a reclamação dela. Havia um “gato” (alguém ligado clandestinamente à rede telefônica) e quem pagava a conta era ela. Deu uns 600 reais de diferença. E a Telefônica enrolando, dizendo que tecnicamente não havia “gato”, aquele blablablá de sempre. O que ela fez? Foi reclamar no Procon-SP. Mais uma vez, demora, enrolação, “problemas técnicos”. Ela insistiu.

Meses depois, quando nós dois já estávamos desacreditados, vem uma ligação da telefônica – em resposta à reclamação do Procon.

– “Senhora Adriana?”

E a mesma estória se repete.

Então é isto. Insista. Não abra mão de seus parcos direitos assim, nas primeiras 2, 3 ou 10 tentativas.

O Brasil pode não ser uma Suécia, mas também temos coisas que funcionam. Além do agradável clima tropica…