Desenvolvimento a qualquer custo na hidrelétrica de Belo Monte

De fato, no quesito “meio ambiente” o governo Lula tem muita afinidade ideológica com a tão odiada ditadura. Em 72, na primeira conferência mundial do meio ambiente, o governo brasileiro chamava as empresas poluidoras internacionais para se instalarem em Cubatão e outros pólos industriais. Era a época do “desenvolvimento a qualquer custo”. O resultados nós conhecemos, Cubatão virou o “Vale da morte”. E a Amazônia, o que virará?

Queremos desenvolvimento? Sem dúvida. Mas o Brasil tem a chance histórica de praticar outra forma de desenvolvimento, menos prejudicial ao ambiente e à população como um todo. Não é nada fácil. Mas pelo menos a gente podia tentar.

Infelizmente, não é o que vem acontecendo. Não foi à toa que Marina Silva saiu do ministério. Fechar o Ibama? Não é uma ideia tão absurda, visto que boa parte do orçamento do órgão é gasto em Brasilia (provavelmente para proteger cobras, raposas, gaviões, urubus, e outros animais que não estão em extinção). Aliás, fechando o Ibama e o Senado, economizaríamos uma boa bolada.

O trecho abaixo chama atenção para a maneira pela qual a hidrelétrica de Belo Monte foi aprovada. O que nos dá uma boa ideia de como a neutralidade científica pode ser neutralizada…

Lula deveria fechar o Ibama. Afinal, de que adianta o Instituto manter as aparências e formalidades de órgão regulador se sete de seus analistas afirmam que não tiveram tempo de analisar adequadamente o pedido de licenciamento para construção da hidrelétrica de Belo Monte (rio Xingu, no PA)?

Emitida na semana passada após ampla e pública pressão do governo, a licença significa a implosão do sistema de licenciamento ambiental brasileiro, que já foi considerado um dos mais modernos.”

Segundo o Globo, a licença ambiental foi aprovada junto com um parecer (114/2009). Neste documento, continua o artigo:

os técnicos cumprem a difícil tarefa de informarem sem dizer explicitamente que a licença, apesar de ter sido expedida, não tem condições de ser concedida.

“Tendo em vista o prazo estipulado pela Presidência (do Ibama), esta equipe não concluiu sua análise a contento. Algumas questões não puderam ser analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões indígenas e as contribuições das audiências públicas”, escreveram os analistas ambientais do órgão. “Além disso”, avisam que “a discussão interdisciplinar entre os componentes desta equipe ficou prejudicada. Essas lacunas refletem-se em limitações neste Parecer”.

Entre algumas conclusões, está o fato de que o estudo não apresenta informações que possibilitem aos técnicos afirmarem que serão mantidas a diversidade biológica da região, a navegabilidade do rio Xingu e as condições de vida das populações atingidas.

Leia mais em
Fechem o Ibama! – Ricardo Noblat: O Globo
.