Deixa os cubanos trabalharem!

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Os últimos meses estão bastante interessantes, por vezes irritantes, pelo tipo de discussão que tem aparecido nas conversas ao vivo e debates nas redes sociais. O que antes era um pudim de gosma, volta a assumir formas bastante distintas, denominadas pelo vulgo como direita e esquerda. Bom, diz o Deleuze que não existe governo de esquerda e vejo muito sentido no que ele diz. Mas as pessoas, na hora que a batata assa, mostram com clareza suas posições políticas e suas visões de mundo.

O bom disso tudo, já está ficando claro, é que o poder de manipulação da grande mídia já não é mais o mesmo. Eles continuam tentando, é verdade. Mas as pessoas começam a se informar mais diretamente umas com as outras, os celulares gravam o que a TV insiste em negar, e mesmo na TV a opinião da massa começa a surtir efeitos interessantes.

Entramos agora na era pós enquete do Datena, seja lá o que isso signifique.

Mas essa polêmica dos médicos está impressionando. Qual é a polêmica? Parece até que estamos discutindo a depilação da Nanda Costa (que até agora também não entendi o que tem de polêmico).

Do monte de “argumentos” contra, não vi nenhum que se sustente do ponto de vista da saúde pública brasileira. Na melhor das hipóteses, se é que há uma discussão, o que estão discutindo é o regime Cubano – que não me atrevo aqui a discutir, por falta de conhecimento.

Mas fico perplexo com toda a energia que os pagadores e recebedores de plano de saúde estão gastando para impedir o que é claramente uma política de saúde pública emergencial e necessária. E que, inclusive, já ocorreu no passado, na era FHC, com total apoio daquela revista que não ouso dizer o nome, e que agora vem com esse papo de escravidão.

O interessante da “polêmica” é que algumas coisas obscuras começam a ficar às claras. O corporativismo médico brasileiro, por exemplo, no melhor estilo “senhor de engenho”, mostrou todas as suas garras, que estavam tímidas desde a polêmica do parto em casa. Ao mesmo tempo, talvez apenas para ironizar a peleguice Global, o SBT mostrou como alguns médicos brasileiros vivem seu cotidiano, sugando o dinheiro público na maior cara de pau, protegidos por seus diplomas, comprados ou não. E depois vão falar que o governo tal é corrupto, que o Brasil não tem jeito, quando eles nem precisam de esquema para mamarem nas tetas do estado: é só entrar e sair, com todo seu poder médico de senhor de engenho. (Os bons médicos, aqueles que levam a sério o juramento de Hipócrates, sabem que não me refiro a eles).

Para quem quiser compreender melhor as coisas, sugiro que dê uma olhada nesse artigo do Observatório da Imprensa, ou mesmo nesse outro do Noblat.

Para quem quiser ver o nível de arrogância e descaso das elites (?) em relação à saúde pública, basta dar uma olhada nos comentários deste artigo. Vergonha alheia.

Agora, pra terminar, em bom português: véi, na boa, que que tá pegando?

Depois de ver todos os pseudo argumentos contra a vinda dos médicos cubanos, o único que parece restar de pé é o seguinte: nós não queremos dar dinheiro para Cuba!

Ou seja, trata-se apenas, na melhor das hipóteses, de um embargo requentado. Aí eu começo a entender melhor o Reinaldo Azedo, aquele cujo salário é pago com a raiva dos “esquerdistas”.

Ora, a direita não tem mais o que fazer? Estão assim tão sem inspiração e criatividade? Vai discutir o mensalão, a carteira de habilitação da Dilma, a repetência do Haddad ou sei lá o que..

Enquanto a gente perde tempo nessa babaquice, tem gente doente sem atendimento, tem manifestante sendo torturado em Recife, tem gente morrendo no Rio, na Síria..

Vamos ao que interessa, a vida é uma só, o tempo é pouco. Deixa o menino jogar! Deixa os caras fazerem o trabalho deles e vamos fazer o nosso, porque o país tá precisando é de trabalho sério e polêmicas de verdade.