Criativo aparelho contra surdez mostra como o cérebro funciona

A ciência é realmente uma caixinha de surpresas. E o cérebro uma obsessiva máquina criadora de significados. Nada pode passar incólume por sua lente semântica, seu olhar criador de mundos. Um exemplo disto está no excerto abaixo.

Os cientistas descobriram que o cérebro (dispondo de pouca informação proveniente de um sentido, como a audição), busca completar o que sabe de maneira extremamente flexível e criativa. Mas raramente deixará de produzir algum significado.

“Durante o estudo, os cientistas compararam sons que também emitem uma pequena onda de ar inaudível, como “pa” e “ta”, com outros que não a emitem, como “ba” e “da”. Ao mesmo tempo, participantes recebiam um “sopro” no dorso da mão ou na nuca.

Eles descobriam que os chamados fonemas não aspirados, como “ba” e “da”, eram ouvidos como seus equivalentes aspirados, “pa” e “ta”, quando apresentados com um “sopro”.

Bryan Gick, chefe da equipe de pesquisadores, disse que agora pretende desenvolver um aparelho que incorpore a descoberta para ajudar deficientes auditivos.

“Tudo o que precisamos é de um aparelho pneumático que possa produzir esses ‘sopros’ nos momentos certos, baseado em impulsos acústicos”, afirmou Gick.” Leia tudo na BBC Brasil – Sensações da pele afetam audição.

De fato, é impressionante a nossa capacidade de produzir significados. Quando esquecemos desta “impressionância”, passando a significar as coisas “no automático”, é que ficamos mais sujeitos ao equívoco, ao erro, à falsidade, à ação inadequada.

Em outras palavras, por algum motivo que nos escapa, tudo acaba fazendo algum sentido na nossa cabeça. Esta é a base do conhecimento, mas também a mãe da ignorância – quando não conseguimos observar e interferir no processo pelo qual conhecemos, criamos significados. Porque aí, neste caso, ele ocorrerá de forma espontânea, “automática”, o que nem sempre leva a um saber sólido, adequado, desejável.

Enfim, estas são algumas reflexões a respeito do corpo, cérebro, inteligência, etc. Mas e quanto ao criativo aparelho? Você viu acima? Imagine o tal dispositivo que, quando você ouve “b”, ele apenas amplifica o sinal. Mas quando você ouve “p”, além de amplificar o sinal ele emite um pequeno golpe de ar, um “sopro” na sua orelha, dando ao cérebro uma dica a respeito da informação recebida. Impressionante, não? A idéia em si. Percepção multi-sensorial, integrada. Claro que é um exemplo simples, mas a idéia por trás do exemplo é algo a nos fazer pensar. Vamos extendendo nossa própria cognição para pequenos aparelhos. No que isso vai dar, só o tempo dirá.