Cidade pra quem?

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As últimas semanas não têm sido muito felizes para quem acompanha as principais notícias do Brasil e do Mundo. E em meio a grandes desastres misteriosos, massacres injustificáveis e alguns problemas em recursos básicos, às vezes perdemos de vista pequenas coisas que, na verdade, são muito maiores do que parecem.

Um apanhado de notícias “menores” me deixou preocupado. Estão relacionadas às transformações que as cidades vêm sofrendo. Tranformações que não favorecem a ninguém, apenas ao capital (e aos poucos que o possuem, de fato).

Uma notícia sobre “arquitetura hostil” diz que em Londres um único prédio com “espetos anti mendigo” se tornou alvo da opinião pública e, logo depois, os espetos foram tirados. Londres é uma cidade incrívelmente confortável aos seres humanos (human friendly), com diversas praças espalhadas pelos bairros, sistema de transporte incrivelmente eficiente, sistema de saúde para todos (você nem precisa de documento para ser atendido – como no Brasil, aliás, mas em Londres não são só os “pobres” que vão ao sistema público). Não se trata aqui de alimentar o “complexo de vira latas” ou de começar uma discussão do tipo “devolvam nosso ouro”, mas apenas de admirar algo belo, que existe, e que pode nos dar uma ideia de para onde caminhar.

É estranho notar que o paulistano, especificamete, tem avaliado mal uma administração pública que, embora de maneira ainda “rascunhada”, parece estar empenhada em tornar a cidade mais confortável aos seres humanos. Mas não quero “politizar” (leia-se partidarizar) uma discussão que é de todos.

Escrevo este post para chamar atenção a um triste movimento que vem acontecendo nas grandes cidades brasileiras, e que precisa ser combatido urgentemente. No Rio de janeiro, acabou de ser fechada a tradicional confeitaria Manon. Em São Paulo, estão quase fechando um tradicional espaço cultural, o Brincante. Para botar o que lá? Mais um prédio! Tudo que os paulistanos precisam – mais gente amontoada em pouco espaço e menos cultura.

Tudo porque estamos planejando as cidades para serem confortáveis ao capital, não aos seres humanos. Chamamos isso de especulação imobiliária. Alguns dizem que é uma bolha, mas ela não está dando sinais de que vá estourar. Não entendo de economia, urbanismo, mas não é preciso ser especialista ou gênio para se dar conta do óbvio. Se continuarmos nesse caminho, as coisas só vão piorar na brasiléia.

A questão do Brincante é muito séria (um quase trocadilho). Depois de duas décadas alugando o mesmo espaço, de repente Antônio Nóbrega e sua trupe recebem uma ação de despejo sem aviso prévio – sendo que as pessoas que alugam a casa têm, por lei, prioridade na compra e portanto devem ser avisadas.

Se casas culturais reconhecidas e tradicionais estão começando a fechar, o que será das pequenas iniciativas que fazem a efervescência da vida cultural da cidade uma referência para o país? O que será do cotidiano do paulistano? Ficar vendo filmes enlatados em shoppings murados comendo frituras caras e ruins? É essa cidade que queremos?

Se você quiser expressar publicamente sua opinião contra o fechamento do brincante, pode assinar essa petição, escrever algo, sair na rua, sei lá.

A cidade é para as pessoas, não para os consumidores!

#FicaBrincante   #MaisVerdeMenosCinza  #MaisArteMenosPrédio !