Antes de ler, compartilhe!

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Essa parece estar se tornando a regra nas pistas de alta velocidade da informação: se gostou do título, compartilhe logo antes que esfrie o assunto. Depois, quando muito, dá uma lidinha só pra poder discutir com os amigos sobre os memes do momento.

Eu mesmo cometi este lapso recentemente, compartilhando uma imagem de um pôr do sol na China, supostamente um substituto oficial ao cenário real num país tomado pela poluição, mas que na verdade era só uma propaganda. Caí como um pato e só fui resgatado quando meu amigo Tibúrcio enviou um link explicando o boato. Bom, não foi tão ruim assim, até porque a revista época também caiu no engôdo, e eles têm (ou deveriam ter) pessoas que recebem salários pra evitar esse tipo de desinformação, ao contrário de nós, meros usuários compulsivos de informação.

Mas esses dias me deparei com um dos mais bizarros exemplos de desinformação que já presenciei nas redes sociais. Um amigo havia compartilhado o texto de um sujeito que supostamente traduziu uma matéria alemã que falava mal da Dilma. Colo a imagem abaixo, para a posteridade, mas o post pode ser encontrado aqui.

Achei que, embora pudesse ser verdade, não estava muito de acordo com o pouco que já tinha lido sobre o assunto. Como dispunha de tempo, esse bem tão precioso, resolvi checar a fonte. Não foi difícil. Segui o link do próprio post do sujeito, que dava num texto em Alemão. Poderia ter parado por aí, mas resolvi pedir uma ajuda ao google translator. Pensei que poderia encontrar uma ou outra distorção ou exagero, mas, pasmem, não havia uma única linha semelhante entre o post do sujeito e a reportagem alemã, que inclusive era de 2012. Fiquei abismado com a cara de pau do sujeito e com a capacidade das pessoas em compartilhar o que não sabem (no momento, são 33 mil compartilhamentos, e duvido que 1% deles seja crítico). meme-tosco2Na verdade, bastava ler um comentário no próprio post para, no mínimo, desconfiar do conteúdo.

Resolvi escrever esse post para lembrar que estamos em plena guerra da informação. E nessa guerra, a principal arma é a desinformação, muitas vezes mais verossímil do que a verdade. Cuidados redobrados são necessários nesse ano, porque os ânimos estão aflorados e os desinformadores são bastante criativos. Sua principal munição é a ignorância, a falta de tempo, o desejo de que certa informação esteja correta.

Por curiosidade, fui ver quem é o sujeito, e encontrei um obsessivo por informações reacionárias no facebook. Você pode conferir aqui no perfil dele, mas acho que nem vale a pena perder tempo com isso. Eu, que já perdi um pouco do meu, deixo aqui apenas algumas notas. O senhor Marlon Boone, que curtiu páginas como “Dom Bertrand de Orleans e Bragança” e “Bunker cultural”, por vezes tece livres associações entre opção sexual e opção política.

memetosco-coments

Não sei se chamo meu sentimento de tristeza, raiva ou vergonha alheia.

E não deixa de ser incrível perceber que esse é mais um daqueles sujeitos que reclama da ignorância do povo, supostamente responsável pela corrupção dos políticos (como se as elites e o judiciário não tivessem nada com isso).

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Tanta certeza ele tem de que o povo é ignorante, que compartilha (para seus amigos, é bom lembrar) informações escandalosamente falsas, que qualquer idiota (com tempo e google translator) pode desmarcarar. No caso, eu.