Alegria, inteligência e método científico

E os cientistas continuam tentando entender o ser humano. Vejam esta noticia:

“Um estudo da universidade americana Eastern Virginia Medical School sugere que crianças que têm pais deprimidos têm um vocabulário menor do que as com pais saudáveis.

Por outro lado, a pesquisa, publicada na revista New Scientist, concluiu que crianças com mães com sintomas parecidos não foram afetadas.” leia mais

Que a alegria estimula a inteligência já se tem vários indícios. Agora, que o estado da mâe não interfere, isso surpreende. Será que as crianças tem um “mecanismo natural de separação emocional da mâe”, desenvolvido desde o cordão umbilical? O senso comum não nos leva na direção contrária?

Vejamos os números:

Os pesquisadores analisaram 5 mil famílias, sendo que quando as crianças tinham nove meses de idade, 14% das mães e 10% dos pais estavam deprimidos.

Aqui já vale a velha pergunta: que critério nos permite separar as pessoas deprimidas com tal precisão? Talvez seja uma pergunta do tipo “Com que frequência você se sente triste? a) quase nunca, b) às vezes, c) todas as semanas, d) todo os dias”. Mas deixemos esta questão de lado.

Vejamos os dados significativos:

“Enquanto mães deprimidas não reduziam a quantidade de tempo que passavam lendo para seu bebê de nove meses, foi registrada uma redução de 9% no tempo que os pais deprimidos liam para seus filhos em relação àqueles que não tinham depressão

Vejamos, agora, como os cientistas interpretaram estes dados.

Os responsáveis pela pesquisa disseram que o fenômeno pode ser causado porque pais deprimidos passam menos tempo lendo histórias para seus filhos”

Isto é o que eu chamo de confundir a lua com o dedo que aponta a lua. Os cientistas reduzem a realidade ao que podem mensurar. A questão não é só contar histórias. Essa é a ponta do iceberg. Mas foi o que deu pra medir e encontrar correlações.

Aí vem a brilhante conclusão: o problema é que os pais é que não contam estórias para seus filhos quando estão deprimidos. Isto não é conclusão. É indício. É uma porta aberta, não a linha de chegada.

E os cientistas continuam tentando entender o ser humano…