A política no homem e nos outros macacos

Diretamente da Revista Piauí:

O senador Jarbas Vasconcelos não está sozinho. O que ele disse outro dia do PMDB os cientistas vêm dizendo há muito tempo dos primatas.

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Nepotismo, abuso de autoridade, traição, rasteira, golpe, mensalão não há figura da crônica política e da patologia sociológica que não tenha passado ultimamente pelos tratados de primatologia, tornando esses livros, para os leigos, muito mais fáceis de ler. O holandês Frans de Waal, decano da especialidade e autor de Eu, Primata, passou anos anotando tudo o que os chimpanzés faziam no zoológico de Arnhem, nos Países Baixos. Viu “blefes”, “coalizões” e “trapaças” onde o público só enxerga macaquice. E concluiu que esses eternos “palhaços do reino animal se sentiriam muito à vontade numa arena política”.

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Briga-se muito entre os chimpanzés. Mas suas brigas raramente passam de um exercício que serve para reiterar e reforçar a unidade do grupo. O inimigo mesmo é o externo. Cada vez que dois chimpanzés do alto clero se desentendem, os outros tomam partido e todos berram como se estivessem diante das câmeras da TV Senado. Mas, no fim, acaba tudo em catação recíproca de piolho, que é o grande cerimonial da reconciliação. Adversários aparentemente dispostos a se destroçarem com os dentes foram vistos por Waal, “um minuto depois que as brigas acabavam, correrem um ao encontro do outro, beijar-se, estreitar-se num abraço demorado e fervente, e então começar a se pentear um ao outro”. Como legítimos políticos. “

Pois é. Alguns milhões de anos de evolução, e tudo que conseguimos foi trocar o penteado  pela pizza.

Fonte: revista piauí: questões símio-sociais, Cada macaco com seu mandato.